O catolicismo já mudou de opinião algumas vezes durante os séculos. São Basílio, desde o século IV já afirmava: "Uma mulher que destrói deliberadamente um feto responde por homicídio. E qualquer distinção tênue entre seu ser completamente formado ou não formado não é aceito entre nós".
Com o surgimento do Código Justiniano (século VI) o aborto passou a ser permitido desde que praticado nos primeiros quarenta dias de gestação, pois considerava-se que a infusão da alma só acontecia quando o feto adquiria a forma humana. Essa permissão durou aproximadamente dez séculos, quando em 1588 o Papa Sisto V passou a condenar o aborto em qualquer estágio. Três anos depois o Papa Gregório XIV voltou a aprovar, o que durou um período de 278 anos. Enfim em 1869, a proibição foi restituída por Pio IX e continua até os dias atuais.
Falar sobre o Protestantismo é sempre uma tarefa difícil tendo em vista sua ampla ramificação. Mas, podemos dizer que em sua essência essas doutrinas (Batista, Luterana, Metodista, Episcopal, Presbiteriana, Unitária,...) são contra ao aborto em qualquer circunstância argumentando que, em situações extremas devemos orar ao Senhor pedindo sabedoria.
O Kardecismo (popularmente conhecido no Brasil como Espiritismo), doutrina criada em 1857 com a codificação do Livro dos Espíritos, pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, usando o pseudônimo Allan kardec. Quando Kardec pergunta aos espíritos sobre o aborto, no Livro dos Espíritos, chega a seguinte conclusão:
357. Quais são, para o Espírito, as conseqüências do aborto?
— Uma existência nula e a recomeçar.
358. O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção? — Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ou qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento.
359. No caso em que a vida da mãe estaria em perigo pelo nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?
—É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe.
360. E racional ter pelos fetos o mesmo respeito que se tem pelo corpo de uma criança que tivesse vivido?
— Em tudo isto vede a vontade de Deus e a sua obra, e não trateis levianamente as coisas que deveis respeitar. Por que não respeitar as obras da criação, que, às vezes, são incompletas pela vontade do Criador? Isso pertence aos seus desígnios, que ninguém é chamado a julgar.
Agora, independente da religião o aborto é uma triste realidade e a não legalização faz com que as mulheres de condição sócio-econômica menos favorecida recorram a ambientes clandestinos, colocando suas vidas em risco, enquanto que as mais favorecidas socioeconomicamente abortam em clínicas de maior segurança (maior segurança, não clínicas seguras). Pesquisas mostram que, em países onde há a legalização, o índice de aborto não aumentou.
Você é a favor do aborto? Em quais condições?
obs.: Limitei-me a tratar a questão em religiões cristãs com, no mínimo 1% de seguidores no Brasil, segundo o senso IBGE 2010.
Fernando Caldeira
Fernando Caldeira

2 comentários:
Sou a favor do aborto, pois como diz no texto, a mãe que não quer o filho acaba fazendo qualquer coisa para aborta-lo assim colocando a própria vida em risco .
Acho que a escolha deveria ser da mulher, porque é o corpo dela, eu não faria mas é melhor permitir q outras façam ou deixá-las tomar outros remédio e fazer coisas prejudiciais à saúde delas para abortar
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